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Full text of "Interpretação de Textos"

Intèrpret açào de Textos 



INTRODUÇÀO 

Entende-se por texto um conjunto de enunciados inter-relacionados que formam um todo 
signiíïcativo, dependente da coerència conceitual, da coesào seqüencial entre seus 
constituintes e da adequaçào às circunstàncias e condiçòes de uso da língua. 

A unidade de sentido do texto pressupòe que: 

1. o signiíicado de urna parte nào é autònomo, mas depende das outras partes com que se 

relaciona; 

2. o signiíicado global do texto nào é o resultado de urna mera sorna de suas partes, mas de 

urna certa combinaçào geradora de sentidos. 

Tipologia Textual 

Os textos sào comumente classiíicados em narrativos, descritivos e dissertativos. Convém 
esclarecer que essas modalidades diíicilmente sào encontradas em estado puro; elas podem se 
alternar num mesmo texto, cada urna desempenhando no texto maior urna determinada 
funçào: a narraçào pode ser o eixo condutor do texto, entremeada por descriçòes de 
personagens ou cenàrios; a discussào de um problema pode ser entremeada por pequenas 
narrativas que ilustrem os argumentos contra ou a favor de um determinado ponto de vista e 
assim por diante. Ha urna dominància de um tipo sobre os demais, defïnindo-se, portanto, o 
texto em funçào da categoria dominante. 

Narraçào 

Um texto narrativo tem como objeto fatos reais ou imaginàrios: numa noticia, por exemplo, 
narram-se fatos reais, apresentados como tal; nos contos, novelas, romances, narram-se 
acontecimentos fictícios ou acontecimentos reais apresentados ficcionalmente. 

O texto narrativo constitui-se de uma sèrie de fatos que se situam em um espaço e se 
sucedem no tempo: os fatos narrados nào sào simultàneos, como na descriçào, havendo 
mudança de um estado para outro, segundo relaçòes de seqüencialidade e causalidade. Ele 
expressa as relaçòes entre os individuos, os conflitos e ligaçòes afetivas entre esses individuos 
e o mundo, utilizando situaçòes que contem essa vivència. 

Elefoi cavando, cavando, cavando, pois suapmfissào - coveíro - era oavar. Mas, de repente, na distraçdo do 
oficio que amava, percebeu que cavava demais.Tentou sairda cova e nao consegutu. Levantou o olharpara 
ama e viu que soztnho nao conseguiria sair. Gritou. Ninguém atendeu. Gritou maisforte. Ninguémveio. 

Millor Femandes, O Coveiro 

Descriçào 

Descrever é assinalar os traços mais singulares, mais salientes; é fazer ressaltar do conjunto 
uma imprès sào dominante e singular. Dependendo da intençào do autor, varia o grau de 
exatidào e minúcia na descriçào. 

Diferentemente da narraçào, que faz uma història progredir, a descriçào faz interrupçòes na 
història, para apresentar melhor uma personagem, um lugar, um objeto, enfrm, o que o autor 
julgar necessàrio para dar mais consistència ao texto. No texto dissertativo, funciona como 
uma maneira de comentar ou detalhar os argumentos contra ou a favor de determinada tese 
defendida pelo autor. 

Era um dia abafadiço e aborrecido. a pobre cidade de sdo luís do maranhdo parecia entorpecida 
pelo calor, quase que se nao podia sair à rua: aspedras escaldavam; as vidraças e os lampiòes 
faiscavam ao sol como enormes diamantes, as paredes tinham reverberaçóes de prata polida as 
folhas das àruores nem se mexiam as carroças de àgua passavam ruidosamente a todo o 
instante, abalando os prédios; e os aguadeiros, em mangas de camisa epernas arregaçadas, 
invadiam sem cerimònia as casas para encheras banheiras e os potes. 

Aloisio de Azevedo, O Mulato 



PROF a Denise Jean 

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Intèrpret açào de Textos 



Dissertaçào 

A dissertaçào consiste na explanaçào ou discussào de conceitos ou idéias. Pode ser expositiva 
ou argumentativa. 

Dissertaçào expositiva - o autor apresenta urna idéia, urna doutrina e expòe o que ele ou 
outros pensam sobre o tema ou assunto. Geralmente amplia a idéia central, demonstrando 
sua natureza, antecedentes, causas próximas ou remotas, conseqüèncias ou exemplos. 

Os distúrbios cardiovasculares sao a principal causa de mortes no mundo, com 1 7 milhoes de 
óbitos - o equivalente a urna a cada tres mortes. No Brasil, somam 300.000 por ano. Mantido o 
cenàrio atual, estima-se que em 2020 as mortes provocadas por eles cheguem a 25 mühòes. 
Quando se ouve que esse crescimento està intimamente associado ao aumento dos casos de 
obesidade, hipertensao e stress, a primeira frase que vern à cabeça é que é muito difícil manter 
um estilo de vida saudàvel no mundo moderno. 

(Veia, jul. 2002) 

Dissertaçào argumentativa - o autor quer provar a veracidade ou falsidade de idéias. Pretende 
convèncer o leitor ou ouvinte, por meio do emprego de argumentes, de provas evidentes, de 
testemunhas. 

Qual a razúo de ser do terrorismo? A injustiça, como alegam alguns? Nao, nào é por ai. Veja-se o caso dos 
bascos. Conforme recorda Javier Martos em artigo publioado no Estado (1 3/3), hd mais de 25 anos nao ha 
opressao na regiao basca, que dispoe de governo autónomo, Parlamento de ampbspoderes e força polida! 
própria. Mas nao basta. Os bascos dissidentes nao aceitam a autonomia, como as demais províncias 
espanholas, eles exigem a soberania, a independència total. Por que o governo de Madri nao concede a 
independència aos bascos? Simplesmenteporque apostulaçdo de independència nao se sustenta na menor 
legitimidade, contruriando a vontadedagrande maioria dapopulaçao basca. 

Gilberto de Mello Kujawski, Império e Terror 



A dissertaçào envolve: 



Introduçao 



idéia- núcleo 



Desenvolvimento 



confïrmaçào da idéia- núcleo + 
apresentaçào de idéias 
complementares = argumentaçào 



Conclusao 



geralmente, 
apresenta a 
retornada da idéia- 
núcleo 



Paràgrafo é a unidade da escrita em que, por meio de urna sèrie de frases, se desenvolve 
apenas urna idéia relevante. 

Introduçao - o primeiro paràgrafo deve conter a informaçào do que serà apresentado 
posteriormente. É urna espècie de indice do desenvolvimento. 

Desenvolvimento - pode ocupar vàrios paràgrafos em que se expòem juízos, raciocínios, 
exemplos sólidos e justificativas que argumentem a idéia central proposta na introduçao. 

Conclusao - é a parte final do texto em que se condensa a essència do conteúdo desenvolvido, 
reafirma-se o posicionamento exposto na tese ou lança-se urna perspectiva sobre o assunto. 

Argumentaçào 

Argumentar é convèncer ou tentar convèncer mediante a apresentaçào de razòes, em face das 
provas e à luz de um raciocínio coerente e consistente. 

Inferència 

Inferir é conduir, deduzir pelo raciocínio, apoiado em indícios contextuais e no conhecimento 
de mundo. 



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Intèrpret açào de Textos 



Governo vai intervir nos pianos de saúde 

Inferència 1 - hàproblemas sérios de desrespeito ao cidadào nessa àrea 
Inferència 2 - o país núo tem urna política de saúde pública que proteja o cidadào 
Inferència 3 - os pianos de saúde vào tomar medidas de retaliaçüo como 
conseqüència dos medidas do governo 

O brasileiro nunca viajou tanto para o exterior 

Inferència 1 - houve urna mudança nos hàbitos do brasileiro 
Inferència 2 - o brasileiro núo està valorizando o Brasil 
Inferència 3 - o brasileiro està tendó alto poder aquisitivo 
Inferència 4 - o turismo no exterior é mais barato 
Inferència 5 - aumentou o contrabando de produtos estrangeiros 

Resolva 

(esaf) Considere o fragmento para as duas questòes abaixo: 

"Um dos mais respeitados colégios particulares da cidade de Sao Paulo esta fechando suas 
portas por causa da briga crònica entre pais de alunos e donos de escolas em torno das 
mensalidades escolares." 

(Veja, 27.9.89) 

1. Assinale a alternativa que contem urna conseqüència do fato relatado. 

a. Duas escolas se prontifïcaram a admitir os alunos da escola extinta. Unia delas esta 
contratando boa parte de seu corpo docente. 

b. A interferència do governo na fixaçào dos índices de reajuste das mensalidades escolares é 
conseqüència do "lobby" bem sucedido dos proprietàrios de escolas privadas junto ao MEC. 

c. O triste desfecho desse fato é emblemàtico da situaçào da educaçào brasileira. 

d. Dois meses depois que o governo federal liberou os preços das mensalidades escolares, a 
Justiça de Sao Paulo decidiu que os reajustes voltam a ser controlados, nào podendo 
exceder os índices mensais de inflaçào. 

e. O Sindicato dos Professores de Sao Paulo realizou um levantamento segundo o qual esta é 
a escola que melhor remunera os professores. 

2. Assinale o trecho que constitui urna premissa do fato relatado. 

a. As escolas que pagam salàrios baixos a seus professores e funcionàrios sào as que mais 
dào lucros. 

b. Para manter a qualidade do ensino requerida pela sociedade, as escolas privadas estào 
incrementando convenios com empresas e indústrias. 

c. O ensino privado custa caro e tende a ficar mais caro com as necessidades tecnológicas 
impostas a cada dia pela moderna educaçào. 

d. No vàcuo criado pela ausència do Estado no ensino secundàrio proliferam as escolas 
privadas. 

e. Como decorrència do crescimento populacional urbano, existe hoje, nas grandes 
metrópoles, um grande dèficit de salas de aula. 

3. (esaf) Indique o único segmento que serve como argumento contrario à defesa da 
manutençào do ensino superior gratuito no Brasil. 

a. Ha um principio de justiça social segundo o qual o pagamento por bens e serviços deve ser 
feito desigualmente, conforme as desigualdades de ganho. 

b. A Europa considera investimento a formaçào de quadros de nível superior. 

c. Nos EUA, a maior parte do orçamento das melhores universidades é composta por 
doaçòes, convenios com empresas ou órgàos federais, fundos privados, cursos de 
atualizaçào profissional. 

d. Nos EUA, o montante arrecadado pelas universidades de seus estudantes, a titulo de taxas 
escolares, nào chega ao percentual de 20% de seu orçamento global. 



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e. No Brasil, país com renda per capità de aproximadamente US$ 2 mil, urna taxa escolar de 
US$ 13 mil/ano por aluno, conforme estimativa do Banco Mundial, é quantia astronòmica. 

4. (esaf) Indique o único item que serve como argumento favoràvel à defesa da legalizaçào da 
pena de morte no Brasil. 

a. A incapacidade de um ser humano julgar o outro com isençào de a nim o. 

b. O sistema carceràrio encontra-se privado das condiçòes necessàrias capazes de promover a 
reabilitaçào para a plena convivència social. 

c. A irreparabilidade do erro jurídico. 

d. O sensacionalismo da mídia ao expor o sentimento dos familiares e amigos do réu diante 
da consumaçào da pena. 

e. Os estados americanos que legalizaram a pena de morte apresentaram um 
recrudescimento no número de crimes violentos. 

5. (esaf) A revista Veja entrevisteu um endocrinologista e sobre ele afïrmou: 

"... acostumou-se a tratar de todo tipo de molèstia metabòlica, desde disfunçòes hormonais 
até o diabetes, sem jamais ter perfilado entre aqueles que consideram um grama um peso 
na consciència ." 

Marque a declaraçào desse medico que segué a mesma direçào argumentativa do texto 
sublinhado. 

a. "Mas a culpa da manipulaçào também é do próprio obeso, que quer resolver seus problemas através 
de fórmulas instantàneas. " 

b. "O gordo é explorado por urna indústria que reúne médicos, indústrias farmacèuticas, institutos de 
beleza e autores de livros sobre dietas. " 

c. "Os carboidratos tem a vantagem de ser urna alternativa mais saudàvel na dieta que as gorduras e 
as proteínas." 

d. "A neurose das dietas esta transformando em pecado o prazer de comer urna refeiçào saborosa." 

e. "Essa història de ter de comer em determinados horarios quando se fàz dieta é bastante 
questionàvel. Teoricamente, o ideal é que a pessoa coma vàrias vezes ao dia." 

6. (esaf) Marque o item que apresenta urna ilustraçào confïrmatória da tese postulada no 
seguinte texto: 

"Pode-se afirmar que a distribuiçào injusta de bens culturais, principalmente das formas 
valorizadas de falar, é paralela à distribuiçào iníqua de bens materiais e de oportunidades." 

S. M. Bortoni 

a. Prova disso sào os modernos "shopping centers", cujo espaço foi arquitetonicamente projetado para 
permitir a convivència barmoniosa da empregada e da "madame", do porteiro e do ministro, enfim, 
de ricos e pobres. 

b. Temos na diversidade dos programas de televisào um exemplo de que a diferença outrora marcante 
entre cultura de élite e cultura popular hoje esta reduzida a urna mera questào de grau. 

c. A iniqüidade na distribuiçào de bens culturais no Brasil encontra demonstraçào inequívoca na 
oposiçào que ainda hodiernamente se íàz entre casa-grande e senzala. 

d. Demonstra este fato o esforço que fàzem dirigentes políticos e sindicais provenientes das camadas 
baixas da sociedade para dominar a variedade padrào da língua portuguesa. 

e. Os chamados "meninos de rua", menores abandonados e meninas prostituídas testemunham, no 
Brasil da modernidade, a falència das élites em dividir o bolo da economia. 

Leia o texto a seguir para responder à questào 7. 

Enquanto o patrimònio tradicional continua sendo responsabilidade dos Estados, a promoçào 
da cultura moderna é cada vez mais tarefa de empresas e órgàos privados. Dessa diferença 
derivam dois estilos de açào cultural. Enquanto os governos pensam sua política em termos 
de proteçào e preservaçào do patrimònio histórico, as iniciativas inovadoras ficam nas màos 
da sociedade civil, especialmente daqueles que dispòem de poder económico para financiar 
arriscando. Uns e outros buscam na arte dois tipos de ganho simbólico: os Estados, 
legitimidade e consenso ao aparecer como representantes da història nacional; as empresas, 



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obter lucro e construir através da cultura de ponta, renovadora, urna imagem "nao 
interessada" de sua expansào econòmica. 

(Nestor Garcia Canclini, Cuitaràs Hibridas, p. 33, com adaptaçdes) 

7. (esaf) Assinale como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes inferèncias a respeito do texto. 
) O Estado e a sociedade civil sào co-responsàveis por açòes culturais, cada um no seu àmbito. 
) Nào existe preservaçào do património histórico sem produçào de cultura de ponta. 
) Ambos os estilos de açào cultural identiíicados no texto produzem ganhos simbólicos. 
) Financiar iniciativas culturais inovadoras implica incórrer em riscos econòmico-financeiros. 
) A arte pode servir para camuflar interesses econòmicos expansionis tas. 
) Só pela atuaçào cultural, os Estados podem tornar-se representantes da història nacional. 

A seqüència de respostas corre tas é 

a. V-V-F-F-V-F 

b. V-F-V-V-V-F 

c. V-F-F-V-V-V 

d. F-F-V-F-F-V 

e. F-V-V-F-V-F 

8. (esaf) Assinale a opçào que nào constituí urna inferència das idéias do trecho abaixo. 

Na tentativa de explicar a ocorrència de fome nos paises subdesenvolvidos, surge, após a 
Segunda Guerra Mundial, a teoria demogràfica neomalthusiana, logo perfilhada pelos paises 
desenvolvidos e pelas élites dos paises subdesenvolvidos. Segundo essa teoria, urna populaçào 
jovem numerosa, resultante das elevadas taxas de natalidade verificadas em quase todos os 
paises subdesenvolvidos, exige grandes investimentos sociais em educaçào e saúde. Com isso, 
diminuem os investimentos produtivos nos setores agricola e industrial, o que impede o pleno 
desenvolvimento das atividades econòmicas e, portanto, da melhoria das condiçòes de vida da 
populaçào. Ainda segundo os neomalthusianos, quanto maior o número de habitantes de um 
país, menor a renda per capità e a disponibilidade de capital a ser distribuído pelos agentes 
econòmicos. 

(Eustaquio de Sene e Joao Carlos Moreira, Geografia geral e do Brasil: espaço geogràfico e globalizaçao, Sao Paulo: Scipione, 1 998, 

pp. 338/9, com adaptaçòes) 

a. O crescimento populacional é o responsàvel pela ocorrència da misèria. 

b. Em conseqüència das elevadas taxas de natalidade, os paises subdesenvolvidos vèem-se 
impedidos de alcançar o pleno desenvolvimento das atividades econòmicas. 

c. Sem programas efetivos de controle de natalidade acessíveis às camadas mais pobres, toda 
política de redistribuiçào de renda tenderà ao fracasso. 

d. Urna populaçào numerosa condena muitos jovens a engrossar o enorme contingente de 
mào-de-obra desqualificada que ingressa anualmente no mercado de trabalho. 

e. À medida que as famílias obtèm condiçòes condignas de vida, tendem a diminuir o número 
de filhos para nào comprometérem o acesso de seus dependentes aos sistemas públicos de 
educaçào e saúde. 

Mecanismos para construçao do texto 

Para que um conjunto de vocàbulos, expressòes, frases seja considerado um texto, é preciso 
haver relaçòes de sentido entra essas unidades (coerència) e um encadeamento linear das 
unidades lingüísticas presentes no texto (coesào). 

É devido à coerència que um texto apresenta urna unidade de sentido. A coerència é profunda, 
ou seja, nào se evidencia na superfície do texto, porque é essencial ao seu sentido. A coesào se 
apresenta de forma explícita, por meio de marcas lingüísticas - sintàticas, gramaticais e 
semànticas. 

Coerència 

A coerència ou conectividade conceitual é a relaçào que se estabelece entre as partes de um 
texto, criando urna unidade de sentido. Ela é o resultado da solidariedade, da continuidade do 
sentido, do compromisso das partes que formam esse todo. 



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A coerència depende de urna sèrie de fatores, entre os quais vale ressaltar: 

• o conhecimento do mundo e o grau em que esse conhecimento deve ser ou é compartilhado 
pelos interlocutores; 

• o domínio das regras que norteiam a língua - isto vai possibilitar as vàrias combinaçòes dos 
elementos lingüísticos; 

• os próprios interlocutores, considerando a situaçào em que se encontram, as suas 
intençòes de comunicaçào, suas crenças, a funçào comunicativa do texto. 

Coesào 

A coesào, ou conectividade seqüencial, é a ligaçào, o nexo que se estabelece entre as partes de 
um texto, mesmo que nào seja aparente. Contribuem para esta ligaçào elementos de natureza 
gramatical (como os pronomes, conjunçòes, preposiçòes, categorias verbais), elementos de 
natureza lexical (sinònimos, antònimos, repetiçòes) e mecanismos sintaticos ( subordinaçào, 
coordenaçào, ordem dos vocàbulos e oraçòes). É um dos mecanismos responsàveis pela 
interdependència semàntica que se instaura entre os elementos constituintes de um texto. 

Atençào para os elementos coesivos dos textos abaixo. 
Carcereiros alvejados 

O Estado de S. Paulo - 04/07/06 



Mais do que ataques a in divíduos, os atentados atribuídos àfacçao criminosa PCC 
contra agentes carceràrios sào urna agressào ao Estado. Tal atitude nào pode ser tolerada. 

t 

Ao que tudo indica, os servidores foram covardemente assassinados por serem 



representantes do poder publico e desempenharem afunçao de manter a disciplina nos 
presídios. 

(...) 

(... ) O carro de um quinto agente tambémfoi alvejado nofim de semana, mas o 

carcereiro conseguiu escapar ileso. Ao dirigir suas açòes contra representantes do poder 

publico , oPCC vai assumindo um perfil claramente terrorista. Sao atitudes que lembram as da 



Màfia e de outros sindicatos do crime . Nenhum deies , vale lembrar, triunfou sobre o 
Estado. 

A afronta oberta pelo comando criminoso legitima urna açào mais incisiva de parte 

t 

das autoridades . Nao se trata de agir ao arrepio da lei, mas de intensificar a 
vigilància sobre a populaçào carcerària . É importante identificar novas lideranças da 




quadrilha e isolà-los imediavamente emregimesprisiqnaisma^ Qs Quais impeçam 



completamente a comunicaçào do presó com, seus comandados. 



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Cordào dos desafïnados 

Consultor Jurídico - 05/ 07/ 06 

(...) 

Os reclamantes afirmam que aproibiçúo introduzida pela minirreforma eleitoral colide 



com a Lei 3.857/60, que ïhes assegura o "livre exercício da profïssao de musico em todo o 
território nacional". 

CONEXÒES 

Os conectivos também sào elementos de coesào. Urna leitura eficiente do texto pressupòe, 
entre outros cuidados, o de depreender as conexòes estabelecidas pelos conectivos. 

Principais Conectivos 

• Conjunçóes Coordenativas 

Aditivas - e (afïxmaçào), nem (negaçào), mas também, bem como 
Eu estudo, e ela trabalha . 

Adversativas - mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto 
Querem ter dinheiro, mas nào trabalham . 

Alternativas - ou, ou... ou, ja... ja, ora ... ora 

A juventude atual ora reclama ora atrapalha . 

Conclusivas - portanto, logo, por isso, assim, entao, pois (posposto ao verbo) 
Voce é o dono do carro, logo é o responsàvel . 

Explicativas - que, porque, porquanto, pois (anteposto ao verbo) 
Naofaça cas o, pois estamos aqui para ouvi-lo . 

• Conjunçóes subordinativas 

Causal: porque, porquanto, visto que, ja que, urna vez que, como, que 

A Cofins deve ser paga em todas as situaçòes, jà que incide sobre o faturamento das 
pessoas jurídicas . 

Comparativa: (mais) ... que, (menos)... que, (tao)... quanto, como. 
A luz é mais veloz (do) que o som (é) . 

Concessiva: embora, conquanto, inobstante, nào obstante, apesar de que, se bem que, 

mesmo que, posto que, ainda que, em que pese. 

Embora o ex-marido sabidamente nào seja o pai biolóqico , continua tendó direitos sobre a 
criança. 

Condicional: se, a menos que, desde que, caso, contanto que. 

As lojas poderao obrir suas portas, desde que os loiistas possibilitem a saida dos 
funcionàrios para votar . 

Conformat i va: como, conforme, segundo. 

Conforme ensina o antropóloqo Euqènio Pascele Lacerda , a origem dafarra do boi 
remonta ao povoamento da costa litorànea do estado de Santa Catarina. . . 

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Consecutiva: (tal)... que, (tào)... que, (tanto)... que, (tamanho) . . . que. 

A pré-campanha para 2008 é tào evidente que os candidatos às vezes esquecem até 
de citar seus números de pretendentes a deputado estadual e federal àgora em 
2006 . 

Temporal: quando, enquanto, sempre que, assim que, desde que, logo que, mal. 

Os policiais passavam pelo local quando viram a movimentaçào no restaurante . 

Final: a fïm de que, para que, porque. 

O artista levarà para Nova Iorque tres exemplares, de forma que o museu tenha urna 
alternativa em caso de avaria . 

Proporcional: à proporçào que, à medida que, tanto mais. 

Os governadores reeleitos viram a popularidade se esvasiar diariamente, à medida 
que se aproximava o final do mandato . 

• Pronomes Relativos 

Sao palavras que representarà només ja referidos, com os quais estào relacinonados: cujo, 
onde, qual, quanto, que, quem. 

Cujo: só poderà ser empregado quando houver indicaçào de posse, ficando entre o elemento 
possuído e o elemento possuidor. Nào ha artigo após o pronome. 

Um corpo dejurados escolhe um arquiteto cuja obra tenha "contribuído 
consistentemente para o desenvolvimento da humanidade". 

Onde: indica lugar e pode ser substituído por em que, no qual, na qual, nos quais, nas quais. 

Policiais da Força Nacional de Segurança Pública entraram hàpouco no Presídio de 
Seguranga Màxima de Naviraí, onde o clima é considerado tenso. 

Qual: empregado com artigo anteriormente a ele (o qual, a qual, os quais, as quais) é pronome 
substituto de quem ou que. O artigo anterior ao pronome concorda com o elemento 
antecedente. 

A medida pegou de surpresa os analistas, os quais entendem que a intençào do BC é 
impedir que a elevaçào do dòlar pressione a inflaçào. 

Quanto: só poderà ser empregado após as palavras tudo, todos ou todas. 

Sucessivamente, na estètica de Immanuel Kant, "belo é tudo quanto agrada 
desinteressadamente" . 

Que: pode ser empregado tanto para pessoas quanto para coisas, sem a indicaçào de posse. 
Pode ser substituído por o qual e suas variaçòes. 

O deputado Raül Jungmann cobrou explicaçào do senador que presidia a sessào. 

Quem: só deve ser empregado para pessoas, sem a indicaçào de posse, evidentemente. 

O acusador de Castilho era o criminalista Màrcio Thomaz Bastos, com quem Pacheco 
trabalhou até que ele se tornasse ministro da Justiça. 



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• Para fazer referència a dois elementos 

Primeiro e segundo: obviamente, o termo primeiro refere-se ao primeiro elemento da dupla 

anteriormente citada, e o segundo, ao segundo. 

Este e aquele: o termo este refere-se ao segundo elemento da dupla anteriormente citada, e o 
aquele, ao primeiro. 

Um e outro: o termo um refere-se ao segundo elemento da dupla anteriormente citada, e o 
outro, ao primeiro. 

A rotina e a quimera 

Carlos Drummond de Andrade - Texto constante da prova do Auditor Fiscal da 
Previdència - Cespe-UnB - 1998 

(...) Mas, sem gratidao especial ao autor, ou talvez separando neste o artista do rond- 
de-cuir, para estimar o primeiro sem reabilitar o segundo. 

O certo é que um e outro sào inseparàveis, ou antes, este determina aquele . (. . .) 

Resolva 

9. (esaf) Indique a ordem em que os períodos devem se organizar no texto, de modo a 
preservar-lhe a coesào e a coerència. 

1. O país nào é um velho senhor desencantado com a vida que trata de acomodar-se. 

2. O Brasil tem memòria curta. 

3. É mais como um desses milhòes de jovens mal nascidos, cujo único dote é um ego 
dominante e predador, que o impele para a frente e para cima, impedindo que a misèria 
onde nasceu e cresceu lhe sirva de freio. 

4. "Nào lembro", responde, "faz muito tempo". 

5. Lembra o personagem de Humphrey Bogart em Casablanca, quando lhe perguntaram o que 
fizera na noite anterior. 

6. Mas esta memòria curta, de que políticos e jornalistas reclamam tanto, nào é, como no caso 
de Bogart, urna tentativa de esquecer os lances mais penosos de seu passado, um conjunto 
de desilusòes e perdas que leva ao cinismo e à indiferença. 

(baseado no texto de José Onofre) 

a. 1, 2, 6, 5, 4, 3 c. 2, 6, 1, 3, 5, 4 e. 2, 5, 4, 1, 6, 3 

b. 2, 5, 4, 6, 3, 1 d. 1, 5, 4, 6, 3, 2 

10. (esaf) Indique a seqüència correta que transforma os fragmentos abaixo em um texto coeso 
e coerente. 

1) Assiste-se hoje a um momento de superaçào do conceito de Estado-Naçào. 

2) Novembro de 1989. Anoitece em Berlim e milhares de pessoas se dirigem ao Muro de 

Berlim. 

3) Em questào de horas, o Muro era desfigurado, e, com ele, a ordem internacional 

implantada no pós-guerra. 

4) O fenòmeno tem atraído a atençào de acadèmicos e analistas políticos de todo o mundo. 

5) Na nova etapa històrica que se inaugurou a partir de entào, o mundo assistiu, perplexo, à 

desintegraçào da Uniào Soviètica e da Iugoslàvia. 

a. 1-4-5-2-3 c. 4-1-5-2-3 e. 4-3-5-1-2 

b. 2-3-5-4-1 d. 2-3-4-1-5 

11. (vuwesp) Assinale a alternativa em que o pronome relativo onde obedece aos principio s da 
língua culta escrita. 



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a. Os fonemas de urna língua costumam ser representados por urna sèrie de sinais gràfïcos 
denominados letras, onde o conjunto delas forma a palavra. 

b. Todos ficam aflitos no momento da apuraçào, onde serà conhecida a escola campeà. 

c. Foi discutida a pequena carga horària de aulas de Calculo e Física, onde todos 
concordaram e desejam mais aulas. 

d. Nào se pode ferir um direito constitucional onde visa a garantir a educaçào pública e 
gratuita para todos. 

e. Nào se descobriu o esconderijo onde os seqüestradores o deixaram durante esses meses 
todos. 

12. (vunesp) Nos períodos abaixo, as oraçòes sublinhadas estabelecem relaçòes sintàticas e de 
sentido com outras oraçòes. 

I. Eles compunham urna grande coleçào, que foi se dispersando à medida que seus íïlhos se 
casavam , levando cada qual um lo te de herança. (Proporcionalidade) 

II. Mal se sentou na cadeira presidencial , Itamar Franco pas sou a ver conspiraçòes. (Modo) 

III. Nunca foi professor da UnB, mas por ela se aposentou. (Contrariedade) 

IV. Mesmo que tenham sido só esses dois , jà nào se configuraria a roubalheira? (Concessào) 

A classificaçào dessas relaçòes està correta somente nos períodos 

a. I, II e III b. II e IV c. I e III d. II, III e IV e. I, III e IV 

13. (vunesp) Os princípios da coerència e da coesào nào foram violados em: 

a. O Santos foi o time que fez a melhor campanha do campeonato. Teria, no entanto, que ser 
o campeào este ano. 

b. Apesar de a Sabesp estar tratando a àgua da Represa de Guarapiranga, portanto o gosto 
da àgua nas regiòes sui e oeste da cidade melhorou. 

c. Mesmo que os deputados que deponham na CPI e ajudem a elucidar os episódios obscuros 
do caso dos precatórios, a confiança na instituiçào nào foi abalada. 

d. O minis tro reafirrnou que é preciso manter a todo cus to o plano de estabilizaçào 
econòmica, sob pena de termos a volta da infiaçào. 

e. Antes de fazer ilaçòes irresponsàveis acerca das medidas economicas, deve-se procurar 
conhecer as razòes que, por isso, as motivaram. 

14. (VUNESP) 

(I) No começo da manhà, um semàforo pifou e parou o transito da Avenida Vital Brasil até a 
Avenida Eusébio Matoso. 

(II) Dez minutos antes, a quebra de um ònibus na Rebouças complicou de vez a situaçào. 

Sobre esse texto é correto afirmar que 

a. hà urna desconexào entre os enunciados I e II, além de caracterizar-se mescla dos níveis de 
fala cuito e popular. 

b. os enunciados estào ligados pela idéia de causa (I) e conseqüència (II), além de 
caracterizar-se mescla dos níveis de fala cuito e popular. 

c. no texto hà uniformidade quanto ao nível de fala, que é o cuito; entre os enunciados I e II 
precede o relato em I. 

d. no enunciado I existe um fato que nào guarda qualquer relaçào com o fato relatado no 
enunciado II; o nível de fala do texto é o popular. 

e. deveria ter sido iniciado com o enunciado II para garantir a uniformidade de nível de fala. 

15. (esaf) Indique a opçào que dà seguimento ao período abaixo, respeitados os requisitos de 
coesào e coerència do texto. 

"A estatizaçào na economia brasileira se aprofundou em um período histórico em que a 
intervençào estatal nos setores de infra- es trutura, insumos bàsicos e serviços públicos era 
vista (...)" 

Octàuio Tourinho e Ricardo Viana 



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a. nào apenas como benèfica, mas como necessària para a consolidaçào da produçào ou da 
prestaçào de serviços naqueles setores. 

b. sob a òptica de urna política de atuaçào estatal privatista, alicerçada tanto em 
investimentos internos quanto em financiamentos estrangeiros. 

c. pelos meios acadèmicos e intelectuais como medida necessària para implantar no Pais a 
livre concorrència cuja comercializaçào de bens de consumo supérfluos. 

d. enquanto oportunidade històrica, social e econòmica, cujo resgate da "divida social" que 
havia se acumulado com as camadas mais carentes da populaçào. 

e. como a forma mais eficaz de implantar no àmbito da esfera pública, de que é tributària a 
parcela mais necessitada e pobre da sociedade brasileira. 

16.(esaf) Indique o fragmento que da seqüència ao trecho abaixo, respeitadas a coesào e 
coerència das idéias nele contidas. 

Neste final de século, assiste-se à configuraçào de urna nova demarcaçào do curso do 
pensamento. As categorias com que se tem pensado a realidade foram e estào sendo 
postas em questào. Os modelos de pensamento que até entào davam conta do mundo 

a. continuam a explicar a relaçào do homem moderno com seu mundo biopsiquico e social. 

b. reafirmam-se com a força da tradiçào filosòfica ocidental. 

c. foram ratificadas como paradigmas explicativos da realidade atual. 

d. parecem nào mais apropriados para se apreender a realidade dos novos tempos. 

e. superaram os paràmetros da racionalidade pós-moderna dos tempos atuais. 

17.(esaf) Escolha, entre os periodos abaixo, aquele que deve encaixar-se na lacuna do texto 
para preservar-lhe a coesào e a coerència. 

A història do Brasil nào retrata fielmente a història universal, especialmente a européia, 
porque nossa evoluçào nào é autònoma, nào é produto exclusivo de suas forças internas. 

A dualidade aparece na existència de dois polos, um interno, outro externo. No polo interno 
situam-se as relaçòes de produçào dominantes e a correspondente classe dominante, que 
Ignàcio Rangel chama de sócio maior. No polo externo, situam-se as relaçòes de produçào 
emergentes e o correspondente sócio menor, que na dualidade seguinte se transformarà em 
sócio maior. 

(Luiz Carlos Bresser Pereira e José Màrcio Rego, com adaptaçòes) 

a. Esse mercantilismo nos descobriu, o industrialismo nos deu a independència. 

b. A referida contrapartida política reflete-se nos pactos de poder. 

c. Està na fazenda de escravos, que é mercantil e escravista, està no latifúndio pós-aboliçào. 

d. Sua novidade analítica consiste em afirmar a coexistència dual de relaçòes de produçào. 

e. É necessàrio investigar atentamente como agem umas sobre as outras as leis corres- 
pondente s a essas tres etapas. 

18. (Esafi Marque, em cada ítem, o periodo que inicia o respectivo texto de forma coesa e 
coerente. Depois, escolha a seqüència correta. (itens baseados em Emir sader) 

I 

O abandono da tematizaçào do capitalismo, do imperialismo, das relaçòes centro-periferia, de 

conceitos como exploraçào, alienaçào, dominaçào, abriu caminho para o triunfo do 

liberalismo. 

(X) O socialismo, em conseqüència desses fatores, desapareceu do horizonte histórico, em 

virtude de ter ganho atualidade política com a vitória da Revoluçào Soviètica de 1917. 
(Y) O triunfo do neoliberalismo se consolidou quando o pensamento social passou a ser 

dominado por te ses conservadoras. 

II 

Compravam um passaporte para o camarote dos vencedores. Mas, como "hà urna dignidade 
que o vencedor nào pode alcançar", como dizia Borges, o que ganharam em prestigio perderam 
em capacidade de anàlise. 



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(X) Os que abandonaxam Marx com soltura de corpo e com alívio, como se se desvencilhassem 
de um peso, na verdade nào trocavam um autor por outro, mas urna classe por outra. 

(Y) Eles substituíram a exploraçào de classes e de países pela temàtica do totalitarismo, 
aperfeiçoando suas anàlises políticas ao vinculà-las à dimensào social. 

III 

No mundo contemporàneo, tais modos nos permitem compreender a etapa atual do 

capitalismo, em sua fase de hegemonia política norte-americana. 

(X) Para atender a atualidade, sào necessàrios modos de compreensào férteis, capazes de dar 

conta das relaçòes entre a objetividade e a subjetividade, entre os homens como 

produtores e como produtos da història. 
(Y) Trata-se de urna compreensào miope, que ignora componentes essenciais ao fenòmeno do 

capitalismo que estamos vivendo. 

IV 

Quem pode entender a política militarista dos EUA e do seu complexo militar- industrial sem a 

atualizaçào da noçào de imperialismo? 

(X) Quem pode entender hoje a crise econòmica internacional fora dos esquemas da 

superproduçào, essencial ao capitalismo? 
(Y) Portanto, é a unipolaridade vigente hà urna dècada que busca impor a dicotomia livre 

mercado/ pro tecionismo . 

V 

Nunca as relaçòes mercantis tiveram tanta universalidade, seja dentro de cada país, seja nas 

novas fronteiras do capitalismo. 

(X) O capitalismo dà mostras de enfrentar forte declínio, que leva os especialistas a prevérem 

profunda fragmentaçào na ordem econòmica interna de cada naçào. 
(Y) Assiste-se ao capitalismo em plena fase imperialista consolidada, em que as formas de 

dominaçào se multiplicam. 

a. X, X, Y, Y, X c. Y, Y, X, X, Y e. X, Y, Y, X, X 

b. Y, X, X, X, Y d. X, Y, Y, X, Y 

Semàntica 

Estudo da evoluçào do sentido das palavras através do tempo e do espaço. 

Sentido denotativo = real 

O meu gato matou um rato. 
Sentido conotativo = figurado 

Fizeram um gato na instalaçao elétrica. 

Sinònimo - palavras que podem ser empregadas urna pela outra sem prejuízo do que se 
pretende comunicar. 

vocabulàrio = léxico, linguagem, palavreado, nomenclatura, terminologia, elucidàrio, 
glossàrio, dicionàrio 

Antònimo - palavras que tem significaçòes opostas. A anto ním ia se apresenta sob tres 
aspectos diferentes: 1) palavras de radicais diferentes; ex.: bomimau; 2) palavras de urna 
mesma raiz, numa das quais um prefixo negativo cria oposiçào com a raiz da outra, negando- 
lhe o semantema; ex. : feliz, infeliz; 3) palavras de mesma raiz que se opòem pelos prefixos de 
significaçào contrària; ex. : excluir, incluir. 



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Homónimo - palavras que tem a mesma estrutura fonológica ou gràfica, mas com signifïcados 
diferentes. 

cessao - sessao - seçao colher (talher) - colher (verbo) 

Parònimo - palavras que tem forma gràfica semelhante, mas com significados diferentes . 

despercebido - desapercebido 

Polissemia - É a propriedade que urna mesma palavra tem de apresentar vàrios significados. 

Operaçúo = Ato ou efeito de operar. Conjunto dos meios para a consecuçao de um 

resultado. Qualquer transaçüo comercial. Sèrie de càlculos para demonstrar um 
teorema ou procurar urna ou mais incógnitas e em geral qualquer resultado. 
Movimento de ataque ou de defès a executado por um exercito que manobra. 

Paràfrase 

Parafrasear consiste em reescrever um texto sem alterar seu sentido. 
Resolva 

19.(vuwesp) A linguagem do texto é predominantemente denotativa, usando-se as palavras em 
sentido próprio, na alternativa: 

a. Editores, escritores, professores e alunos tem opiniòes divididas. A maioria, no entanto, 
concorda: o acordo é inoportuno e, nào raro, contraditório. 

b. O brasileiro gosta muito de ignorar as próprias virtudes e exaltar as próprias deficièncias, 
numa inversào do chamado ufanismo. Sim, amigos, somos uns Narcisos às avessas, que 
cospem na própria imagem. 

c. Poluído por denúncias de corrupçào, (...) Luiz Antònio de Medeiros é considerado fósforo 
riscado. 

d. Incumbidos de animar a explosào hormonal da juventude uberabense, Zezé di Camargo e 
Luciano levaram 30 mil reais por sua apresentaçào. 

e. Levou o nome de "fúria legiferante" o período entre 1964 e 1967, que cimentou com 
profusào de leis o edifïcio institucional da nova ordem econòmica. 

20.(esaf) Marque a opçào que nào constituí paràfrase do segmento abaixo: 

"O abolicionismo, que logrou por fïm à escravidào nas Antilhas Britànicas, teve peso 
ponderàvel na política antinegreira dos governos britànicos durante a primeira metade do 
século passado. Mas tiveram peso também os interesses capitalistas, comerciais e industriais, 
que desejavam expandir o mercado ultramarino de produtos industriais e viam na inevitàvel 
misèria do trabalhador escravo um obstàculo para este desiderato." 

(P. Singer, Aformaçao da classe operaria, Sao Paulo, Atual, 1988, p. 44) 

a. Na primeira metade do século passado, a despeito da forte pressào do mercado 
ultramarino em criar consumidores potenciais para seus produtos industriais, foi o 
movimento abolicionista o motor que pòs cobro à misèria do trabalhador escravo. 

b. A política antinegreira da Grà-Bretanha na primeira metade do século passado foi 
fortemente influenciada nào só pelo ideàrio abolicionista como também pela pressào das 
necessidades comerciais e industriais emergentes. 

c. Os interesses capitalistas que buscavam ampliar o mercado para seus produtos industriais 
tiveram peso consideràvel na formulaçào da política antinegreira inglesa, mas teve-o 
também a consciència liberal antiescravista. 

d. Teve peso consideràvel na política antinegreira o abolicionismo. Mas as forças de mercado 
tiveram também peso, pois precisavam dispor de consumidores para seus produtos. 

e. Ocorreu urna combinaçào de idealismo e interesses materiais, na primeira metade do 
século XIX, na formulaçào da política britànica de oposiçào à escravidào negreira. 



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(Fundaçào Carlos Chagas) 

O segredo da acumulaçào primitiva neoliberal 

Numa coluna publicada na Follia de Sao Paulo, o jornalista Elio Gaspari evocava o drama 
recente de um navio de criancas escravas errando ao largo da costa do Benin. Ao ler o texto - 
que era inspirado, o navio tornava-se urna metàfora de toda a Àfrica subsaariana: ilha à 
deriva, mistura de leprosàrio com campo de extermínio e reserva de mào-de-obra para 
migraçòes desesperadas. 

Elio Gaspari propunha um termo para designar esse povo móvel e desesperado: "os cidadàos 
descartaveis". "Massas de homens e mulheres sào arrancados de seus meios de subsistència e 
jogados no mercado de trabalho como proletàrios livres, desprotegidos e sem direitos." Sào 
palavras de Marx,quando ele descreve a "acumulaçào primitiva", ou seja, o processo que, no 
século XVI, criou as condiçòes necessàrias ao surgimento do capitalismo. 

Para que ganhàssemos nosso mundo moderno, foi necessàrio, por exemplo, que os servos 
feudais fossem, à força, expropriados do pedacinho de terra que podiam cultivar para 
sustentar-se. Massas inteiras se encontraram, assim, paradoxalmente livres da servidào, mas 
obrigadas a vender seu trabalho para sobreviver. 

Quatro ou cinco séculos mais tarde, essa violència nào deveria ter acabado? Ao que parece, o 
século XX pediu urna espècie de segunda rodada, um ajuste: a criaçào de sujeitos 
descartaveis globais para um capitalismo enfim global. 

Simples continuaçào ou repetiçào? Talvez haja urna diferença - pequena, mas substancial - 
entre as massas do século XVI e os migrantes da globalizaçào: as primeiras foram arrancadas 
de seus meios de subsistència, os segundos sào expropriados de seu lugar pela violència da 
fome, por exemplo, mas quase sempre eles recebem em troca um devaneio. O protótipo 
poderia ser o prospecte que, um século atràs, seduzia os emigrantes europeus: sonhos de 
posse, de bem-estar e de ascensào social. 

As condiçòes para que o capitalismo invente sua versào neoliberal sào subjetivas. A 
expropriaçào que torna essa passagem possível é psicològica: necessita que sejamos 
arrancados nem tanto de nossos meios de subsistència, mas de nossa comunidade restrita, 
familiar e social, para sermos lançados numa procura infinita de status (e, hipoteticamente,de 
bem-estar) definido pelo acesso a bens e serviços. Arrancados de nós mesmos, deveremos 
querer ardentemente ser algo além do que somos. 

Depois da liberdade de vender nossa força de trabalho, a"acumulaçào primitiva" do 
neoliberalismo nos oferece a liberdade de mudar e subir na vida, ou seja, de cultivar visòes, 
sonhos e devaneios de aventura e sucesso. E, desde o prospecte do emigrante, a oferta vern se 
aprimorando. A partir dos anos60, a televisào forneceu os sonhos para que o campo nào só 
devesse, mas quisesse, ir para a cidade. 

O requisito para que a màquina neoliberal funcione é mais refinado do que a venda dos 
mesmos sabonetes ou filmes para todos. Trata-se de alimentar um sonho infinito de 
perfectibilidade e, portanto, urna insatisfaçào radical. Nào é pouca coisa: é necessàrio 
promover e vender objetos e serviços por eles serem indispensàveis para alcançarmos nossos 
ideais de status, de bem-estar e de felicidade, mas, ao mesmo tempo, é preciso que toda 
satisfaçào conclusiva permaneça impossivel. 

Para fomentar o sujeito neoliberal, o que importa nào é lhe vender mais urna roupa, urna 
cortina ou urna lipoaspiraçào;é alimentar nele sonhos de elegància perfeita, casa perfeita e 
corpo perfeito. Pois esses sonhos perpetuarà o sentimento de nossa inadequaçào e garantem, 
assim, que ele seja parte inalteràvel, definidora, da personalidade contemporànea. 



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Provavelmente seria urna catàstrofe se pudéssemos, de repente, acalmar nossa insatisfaçào. 
Aconteceria urna queda total do índice de confiança dos consumidores. Bolsas e economias 
iriam para o brejo. Desemprego, crise, etc. 

Melhor deixar como esta. No entanto, a coisa nào fica bem. Do meu pequeno observatório 
psicanalitico, parece que o permanente sentimento de inadequaçào faz do sujeito neoliberal 
urna espècie de sonhador descartàvel, que corre atràs da miragem de sua felicidade como um 
trem descontrolado, sem condutor, acelerando progrés sivamente por inèrcia - até que os 
trilhos nào agüentem mais. 

(Contardo Calligaris, Terra de ninguém. Sao Paulo iPublifolha, 2002) 

Nota : O autor desse texto, Contardo Calligaris, é psicanalista e foi professor de estudos culturais naiVetíJ Schoolde 
Nova York. Faz parte do corpo docente do Instituts for the Study ofViolence, em Boston. É também colunista 
da Follia de S. Paulo. 

21.Considere as seguintes afirmaçòes: 

I. Tomando como ponto de partida um comentàrio de outro jornalista sobre um fato recente da 
època, o autor dispòe-se a compreender esse fato à luz de expropriados de seu lugar pela 
violència da fome, por exemplo, urna expressào de Marx - "cidadàos descartàveis" -, que jà 
prèvia o processo migratório de trabalhadores no século XX. 

II. A expressào "acumulaçào primitiva" é considerada pelo autor como inteiramente 
anacrònica, incapaz, portanto, de sugerir qualquer caminho de anàlise do neoliberalismo 
contemporàneo . 

III. Acredita o autor que na base do mundo moderno, do ponto de vista económico, està o fïm 
do feudalismo, està a transformaçào dos servos feudais em trabalhadores que precisavam 
vender sua força de trabalho. 

Em relaçào ao texto està correto SOMENTE o que se afirma em 
a. I. b. II. c. III. d.I e II. e.II e III. 

22. especifico segredo a que se refere o autor no titulo do texto representa-se 

conceitualmente em vàrios momentos de sua argumentaçào, tal como ocorre na seguinte 
frase: 

a. Mossos inteiras se encontraram, assim, paradoxalmente livres da servidào, mas obrigadas a 
vender seu trabalho para sobreviver. 

b. O navio tornava-se urna metàfora de toda a Àfrica subsaariana: üha à deriva, mistura de 
leprosàrio com campo de extermínio e reserva de mào-de-obra para migraçòes desesperadas. 

c. Para que ganhàssemos nosso mundo moderno, foi necessàrio, por exemplo, que os servos 
feudais foss em, à força, expropriados dopedacinho de terra que podiam cultivar para 
sustentar-se. 

d. Ao que parece, o século XX pediu urna espècie de segunda rodada, um ajuste: a criaçào de 
sujeitos descartàveis globais para um capitalismo enfim global. 

e. Trata-se de alimentar um sonho infinito de perfectibilidade e, portanto, urna insatisfaçào 
radical. 

23. A afirmaçào de que As condiçòes para que o capitalismo invente sua versao neoliberal sào 
subjetivas tem sua coerència respaldada no desenvolvimento do texto, jà que o autor 

a. descarta a anàlise de processos históricos, para melhor se apoiar em aspectes da vida 
privada dos indivíduos tipicos da era industrial. 

b. mostra como as exigèncias de satisfaçào pessoal vèm sendo progressivamente atendidas, 
desde que o homem passou a se identificar com seu status. 

c. analisa o funcionamento da màquina liberal e a considera urna tributària direta do 
conhecido processo da acumulaçào primitiva. 



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d. localiza na permanència do sentimento de nossa inadequaçao um requisito com que vera 
contando o neoliberalismo. 

e. entende que o neoliberalismo assenta sua base no principio de que os sonhos dos cidadúos 
descartàveis devem ser excluidos do pragmatismo produtivista. 

24. Quatro ou cinco séculos mais tarde, essa violència nào deveria ter acabado? 

No contexto em que formula a pergunta acima, o autor, implicitamente, esta questionando a 
tese de que os processos históricos ocorreriam 

a. como atualizaçào de providèncias ja verificadas no passado. 

b. numa escala de progressivo aperfeiçoamento social. 

c. alternando ganhos e perdas na qualidade de vida dos cidadàos. 

d. de modo a recompensar o esforço das classes dirigentes. 

e. de modo a tornar cada vez mais nitidas as aspiraçòes de cada classe social. 

25. No contexto em que ocorre a afirmaçào de que 

a. deveremos querer ardentemente ser algo além do que somos, o autor acusa o processo de 
despersonalizaçào acionado pela maquina neolïberal. 

b. a " acumulaçào primitiva" do neoliberalismo nos oferece a liberdade de mudar e subir na vida, 
o autor concede em que ha urna vantagem real nesse caminho econòmico. 

c. Provavelmente seria urna catàstrofe se pudéssemos (...) acalmar nossa insatisfaçào, o autor 
mostra o quanto os neoliberais subestimam a força da nossa subjetividade. 

d. é melhor deixar como esta, o autor esta tomando como pior a situaçào representada por 
um trem descontrolado, sem condutor. 

e. esses sonhos perpetuam o sentimento de nossa inadequaçao, o termo sonhos esta 
representando um caminho alternativo para as pràticas neoliberais. 

26. Na frase Massas inteiras se encontraram, assim, paradoxalmente livres da servidào, mas 
obrigadas a vender seu trabalho para sobreviver, o emprego do termo paradoxalmente 
justifica-se quando se atenta para a relaçào nuclear que entre si estabelecem, no contexto, 
os elementos 

a. massas e livres. 

b. vender e obrigadas. 

c. livres e obrigadas. 

d. viver e vender. 

e. vender e sobreviver. 

27.Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente o sentido de urna expressào ou frase 
do texto em: 

a. um navio (...) errando ao lado da costa do Benin = um navio tomando um rumo equivocado 
junto ao litoral do Benin. 

b. Para fomentar o sujeito neoliberal - com o fito de estimular o homem neoliberal. 

c. arrancados de nós mesmos = arrastados por nossos próprios impulsos. 

d. É preciso que toda satisfaçào conclusiva permaneça impossível = é mister que nào se 
conclua a satisfaçào possível. 

e. O protótipo poderia ser o retrospecto = o modelo primitivo poderia ser a ilusào. 

28. Para se evitar repetiçào de palavras, expressòes ou frases, pode-se recórrer a urna elipse: 
embora nào se represente de novo na frase, o elemento oculto estarà subentendido. 

Considerando-se o contexto, hà a elipse de 

a. na vida em (...) a acumulaçào primitiva nos oferece a liberdade de mudar e subir na vida, ou 
seja, de cultivar visòes, sonhos e devaneios de aventura e sucesso. 



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b. son ho infïnito em trata-se de alimentar um sonho infinito de perfectibilidade e ; portanio, 
urna insatisfaçao radical. 

c. o que importa em (...) o que importa nào é Ihe vender mais urna roupa, urna cortina, urna 
lipoaspiraçào; é alimentar nele sonhos de elegància perfeita, casa perfeita, e corpo perfeito. 

d. pudéssemos em provavelmente seria urna catàstrofe se pudéssemos, de repente, acalmar a 
nossa insatisfaçao. 

e. o sentimento em pois esses sonhos perpetuarà o sentimento de nossa inadequaçao e 
garantem, assim, que ele sejaparte inalteràvel, definidora, da personalidade contemporànea. 

(Fundaçào Carlos Chagas) 

Maquiavel sempre vivo 

Voltado para os problemas políticos específïcos que viviam os pequenos principados italianos, 
quase todos submetidos a princípios tirànicos, Nicolau Maquiavel (1469-1527) escreveu O 
Príncipe, obra considerada basilar da ciència política. Nào espanta que esse pequeno tratado, 
concebido na Renascença, venha até hoje servindo de inspiraçào para políticos de todas as 
inclinaçòes e ideologias. Injustamente reconhecido como um texto de caràter maligno e cínico 
- qualidades que perduram no emprego do adjetivo maquiavélico - O Príncipe é, na verdade, 
um conjunto de argutas anàlises do exercício concreto do poder. Tem, também, um caràter 
prescritivo: dedicado ao jovem príncipe Lorenzo de Medicis, reúne inúmeros aconselhamentos 
pragmàticos, apresentados como liçòes de sabedoria política. 

Urna das contribuiçòes desse tratado foi o deslocamento do conceito de virtude, que Maquiavel 
passa a compreender nào mais em seu sentido moral, mas como discernímento político, 
qualidade indispensàvel para um born governante. Vale dizer: o pensador italiano evitou 
confundir Religiào e Estado; separou essas duas instàncias e dedicou-se a urna anàlise 
inteiramente objetiva dos mecanismos pràticos que tanto permitem chegar ao poder como 
manté -lo. 

O leitor de Maquiavel acaba encontrando nesse texto admiràvel urna sèrie de anàlises e 
revelaçòes que permitem desmascarar os habituais embustes das ideologias mais abstratas, 
dessas que se apegam a supostos princípios de validade universal para melhor encobrirem 
pràticas de proveito particular. Ou seja: além de ser útil aos príncipes", essa obra continua 
sendo valiosa para todo aquele que queira se inteirar da lògica que comanda as açòes de quem 
deseja alcançar o poder e nele se manter. 

(Dorival Santino) 

29. Atente para as seguintes afïrmaçòes: 

I. O autor do texto considera que a principal contribuiçào de Maquiavel foi adequar o 
pragmatismo político de seu tratado aos exigentes princípios morais de sua època. 

II. O fato de Maquiavel preocupar- se com a anàlise objetiva e concreta do exercício do poder 
dota seu tratado de um caràter pedagógico que se tem mostrado resis tente ao tempo. 

in. Em plena Renascença, Maquiavel soube ver que o plano religioso e o plano das açòes 
políticas tecem entre si íntimas relaçòes, sendo por isso necessàrio analisà-las a fundo. 

Em relaçào ao texto, està corre to APENAS o que se afirma em 

a. I. b.II. c.III. d. I e II. e.II e III 

30. De acordo com o terceiro paràgrafo, as liçòes de Maquiavel 

a. se apegam a supostos princípios de validade universal, para melhor exporem suas 
qualidades pragmàticas. 

b. expòem com extrema habilidade os argumentos das ideologias mais abstratas, tomando-os 
como se fossem objetivos. 

c. mostram que nào hà possibilidade de qualquer proveito pessoal quando se manipularà 
princípios de validade universal. 



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d. sào úteis tanto para quem exerce o poder como para quem simplesmente deseja analisar os 
fundamentos desse exercício. 

e. fundem ideologia e pragmatismo, obrigando o leitor a considerar os argumentos próprios a 
cada urna dessas duas esferas. 

(Fundaçào Carlos Chagas) 

Liberalismo 

O liberalismo promoveu urna idéia curiosa: para fazer a felicidade de todos (ou, ao menos, da 
maioria), nào seria necessàrio decidir qual é o bem comum e, logo, impor aos cidadàos que se 
esforçassem para realizà-lo. Seria suficiente que cada um se preocupasse com seus interesses 
e seu bem-estar. Essa atitude espontànea garantiria o melhor mundo possível para todos. 
Afinal, nenhum seria burro a ponto de perseguir seu interesse particular de maneira 
excessiva, pois isso comprometeria o bem-estar dos outros e produziria conflitos que 
reverteriam contra o suposto malandro. 

Ora, o liberalismo, aparentemente, pegou feio. Nào paro de encontrar pessoas convencidas de 
que, cuidando só de seus interesses, elas, no mí nim o, nào fazem mal a ninguém. 

Converso com M., que dirige o taxi que me leva a Guarulhos. Falamos das perspectivas 
politicas. Ele està indignado com a corrupçào das altas e das baixas esferas da política, 
convencido de que, sem ladròes, o país avançaria e resolveríamos nossos problemas. 
Concordo, mas aponto que, mesmo calculando generosamente, o dinheiro que some na 
corrupçào nào seria suficiente para mudar a cara do Brasil. Sem dúvida, 
deve ser bem inferior ao dinheiro que o governo deixa de arrecadar por causa da sonegaçào 
banal: rendas nào declaradas, notas fiscais que só aparecem sob pedido e por ai vai. 

M. aceita essa idéia com gosto e lança urna diatribe contra os sonegadores, inimigos do povo 
brasileiro tanto quanto os corruptes. Pergunto a M. quanto ele paga de imposto de renda. 
Ganho a famosa resposta: "Nào adianta pagar, porque 
nada volta para a gente". Alego que nào adianta esperar que 
algo volte, se a gente nào paga. 

Essa història tem tres morais: a democràcia formal esta forte; a concreta, nem tanto. 
Segunda: os espíritos sào nobres, a carne segué fraca. Terceira: o nacionalismo brasileiro pode 
ser férvido, mas a experiència de urna comunidade de destino ainda està longe. 

(Contardo Calligaris, Terra de ninguém) 
31.É correto afirmar que, para o autor do texto, a idéia curiosa que o liberalismo promoveu é 

a. um caminho seguro para o fortalecimento político do Brasil. 

b. um método eficaz para combater a sonegaçào fiscal. 

c. urna pràtica social que vern dando bons resultados. 

d. urna ilusào de muitos, como vern demonstrando a pràtica. 

e. urna providència salutar, a ser imediatamente tomada. 

32. Na conversa entre o autor e o motorista de taxi, fica claro que 

a. ambos concordam quanto ao que seria suficiente para mudar a cara do Brasil. 

b. ambos concordam quanto ao destino que vern sendo dado aos impostos arrecadados. 

c. ambos sonegam impostos, embora defendam o sistema de arrecadaçào. 

d. o autor se surpreende com a coerència das posiçòes politicas do motorista. 

e. o autor reconhece urna contradiçào entre as palavras e as pràticas do motorista. 

33.Considerando-se o contexto, deve-se compreender a frase o liberalismo, aparentemente, 
pegou feio no seguinte sentido: 

a. o liberalismo, à primeira vista, foi muito bem acolhido. 

b. as idéias do liberalismo, aparentemente, pegaram mal. 

c. a julgar pelas aparèncias, o liberalismo causou mà impressào. 

d. o liberalismo, jà de inicio, mostrou suas garras. 

e. o liberalismo causou urna pèssima impressào inicial. 

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Intèrpret açào de Textos 



(cesp - unB) Leia o texto para resolver as questoes de 34 a 39 

O fïlme Central do Brasil, de Walter Salles, tem como 
protagonista a professora aposentada Dora, que ganha um dinheiro 
extra escrevendo cartas para analfabetos na Central do Brasil, 
estaçào ferroviària do Rio de Janeiro. Outra personagem é o menino 

5 Josué, filho de Ana, que contrata os serviços de Dora para escrever 

cartas passionais para seu ex-marido, pai de Josué. Logo após ter 
contratado a tarefa, Ana morre atropelada. Josué, sem ninguém a 
recórrer na megalópole sem rosto, sob o jugo do estado mí nim o 
(sem proteçào social), ve em Dora a única pessoa que poderà levà-lo 

10 até seu pai, no interior do sertào nordestino. 

Dos vàrios momentos emocionantes do fïlme, o mais 
sensibilizante é o encontro de Josué com os presumiveis irmàos que, 
como o pai elaborado em seus sonhos, sào também marceneiros. A 
camera faz urna panoràmica no interior do sertào para mostrar um 

15 conjunto habitacional de casas populares recém-construídas; em urna 
das casas, os moradores sào os fïlhos do pai de Josué que, em sua 
residència simples, acolhem para dormir Josué e Dora. Os irmàos 
dormem juntos e dividem a mesma cama. Existe urna comunhào de 
sentimentos entre os irmàos: os que tem um teto para morar, tem 

20 trabalho, dào amparo ao menino órfào sem eira nem beira. 

No f ïlm e, a grande questào do analfabetismo està acoplada 
a outro desafio, que é a questào nordestina, ou seja, o arraso 
econòmico e social da regiào. Nào basta combater o analfabetismo, 
que, por si só, necessitaria dos esforços de, no mí nim o, urna geraçào 

25 de brasileiros para ser debelado, pois, em 1996, o analfabetismo 
da populaçào de 15 anos e mais, no Brasil, era de 13,03%, 
representando um total de 13,9 milhòes de pessoas. Segundo a 
UNESCO, o Brasil chegaria ao ano 2000 em sétimo lugar entre os 
países com maior número de analfabetos. 

30 No Brasil, carecemos de politicas públicas que atendam, de 

forma igualitària, a populaçào, em especial aquelas voltadas para as 
crianças, os idosos e as mulheres. A permanència da questào 
nordestina é um exemplo constante das nossas desigualdades, do 
desprezo à vida e da falta de politicas públicas que atendam aos 

35 anseios mí nim os do povo trabalhador. Nào saber ler nem escrever, 

no Brasil, é um elemento a mais na desagregaçào dos indivíduos que 
serào pàrias permanentes em urna sociedade que se diz moderna e 
globalizada, mas que é debilitada naquilo que é mais premente ao 
povo: alimentaçào, trabalho, saúde e educaçào. Sem essas condiçòes 

40 bàsicas, praticamente se nega o direito à cidadania da ampla maioria 
da populaçào brasileira. 

Os ensinamentos que podemos tirar de Central do Brasil 
sào que devemos atacar a questào social de vàrias frentes, em 
especial na educaçào de todos os brasileiros, jovens e velhos; lutar 

45 por politicas públicas de qualidade que direcionem os investimentos 
para promover urna desconcentraçào regional e pessoal da renda 
no país, propugnando por um novo modelo econòmico e social. 
Ao garantir urna vida digna, a maioria da populaçào saberà, por 
meio da solidariedade de classe, responder às necessidades da 

50 construçào de urna sociedade mais justa. Central do Brasil é um 
exemplo vivo de que o Brasil tem rumo e esperança. 

Salvatore Santagada. Zero Hora, 20/3/1999 (com adaptaçòes) 

A partir do texto, julgue os itens a seguir. 



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Intèrpret açào de Textos 



34.Depreende-se, pelo primeixo paràgrafo, que o texto faz parte de um relatório técnico, por 

meio do qual é dada ao leitor a síntese do roteiro elaborado por Walter Salles. 
35. De acordo com o texto, o f ïlm e Central do Brasil é perpassado por urna emocionante 

comunhào afetiva e um elevado sentimento de solidariedade entre Dora e Josué, assim 

como entre es te e seus ixmàos. 
36. elemento de articulaçào "como" expressa diferentes relaçòes nas linhas 1 e 13, nào 

podendo ser substituído, nessas duas ocorrèncias, por porque. 
37. segundo paràgrafo do texto é, predominantemente, descritivo, mas, a partir do terceiro 

paràgrafo, o texto tem caràter dissertativo, por apresentar argumentos que defendem o 

ponto de vista do redator. 
38. Pela passagem do texto "o mais sensibilizante é o encontro de Josué com os presumíveis 

irmàos que, como o pai elaborado em seus sonhos, sào também marceneiros" (£11-13), 

deduz-se que tanto os irmàos quanto a figura paterna sào personagens imaginados pelo 

garoto. 

39. Os adjetivos "acoplada" (£21), "debelado" (£25) e "debilitada" (£38) significam no texto, 
respectivamente, Hgada, extinto efraca. 

(CESP - UnB) 

A idéia de que o mundo vai acabar algum dia é tào 

velha quanto nossa própria civilizaçào. Hà mitos e profecias 

sobre o final dos tempos em todas as culturas e o tema se 

revela central na maioria das religiòes. O que nào se poderia 
5 supor, porém, é que cientistas renomados e de vàrias 

especialidades pudessem unir suas vozes no alerta de que a 

espècie humana pode estar à beira da extinçào. Pois é o que 

està acontecendo. Segundo eles, as sementes das pragas que 

poderào por frm à espècie humana foram plantadas pelas 
10 màos do próprio homem. A mais conhecida dessas pragas é 

a destruiçào da natureza, que ameaça a sobrevivència da vida 

no nosso planeta, mas hà outras igualmente perigosas, cujas 

raízes crescem sem parar: a dos avanços científicos em àreas 

como a engenharia genètica, a física das partículas 
15 subatòmicas e a nano tecnologia. Isso mesmo: as novas 

tecnologias estào assumindo papel central nas previsòes 

escatológicas porque podem trazer o fïm da espècie humana 

a qualquer momento — e sem prévio aviso. 

Vinícius Romanini. In: Terra, set./ 2003 

Com base no texto acima, julgue os itens subseqüentes. 

40. A expressào "o tema" (£3) resume a idéia de outras expressòes do texto, com as quais 
forma urna cadeia coesiva: "A idéia de que o mundo vai acabar algum dia" (£ 1), "o final dos 
tempos" (£.3) e "previsòes escatológicas" (£16-17). 

41. De acordo com o desenvolvimento do texto, a relaçào de idéias que o pronome "cujas" (£ 12) 
estabelece corresponde a de que. 

42. Segundo a argumentaçào do texto, a expressào "as novas tecnologias" (i. 15-16) resume tres 
"pragas" especificadas anteriormente, "cujas raízes crescem sem parar" (£12-13). 



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